O meu Voo

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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

Domingo, 29 de Abril de 2012

O Senhor é meu Pastor



Confiarei nessa voz que não se impõe,
mas que eu ouço bem cá dentro no silêncio a segredar.
Confiarei, ainda que mil outras vozes
corram muito mais velozes, para me fazer parar.

E avançarei, avançarei no meu caminho.
Agora eu sei que tu comigo vens também.
Aonde fores, aí estarei, em Ti avançarei:


O Senhor é meu pastor,
sei que nada temerei.
Ele guia o meu andar,
sem medo avançarei.
(bis)

Confiarei na Tua mão que não me prende,
mas que aceita cada passo do caminho que eu fizer.
Confiarei, ainda que o dia escureça
não há mal que me aconteça, se contigo eu estiver.

Confiarei, por verdes prados me levas,
e em Teu olhar sossegas a pressa do meu olhar.
Confiarei, a frescura das Tuas fontes
deixa a minha vida cheia, minha taça a transbordar.

Quinta-feira, 5 de Abril de 2012

Fazei isto em Minha Memória

Um Pão Um Corpo

Um pão, um só corpo, um só Senhor de tudo,
Um cálice de bênção que abençoamos.
E nós, embora muitos, por toda a terra,
Nós somos um só corpo neste único Senhor.


Gentio ou judeu Servo, ou livre,
Mulher ou homem, não mais.

Um pão, um só corpo, um só Senhor de tudo...

Muitos dos presentes, muitas das obras,
Um no Senhor, de todos.

Um pão, um só corpo, um só Senhor de tudo...

Grão para os campos, dispersas e cultivadas,
Reunidos para um, para todos.

Um pão, um só corpo, um só Senhor de tudo,
Um cálice de bênção que abençoamos.
E nós, embora muitos, por toda a terra,
Nós somos um só corpo neste único Senhor.




Votos de uma santa Páscoa!

Vida Nova, na Unidade do mesmo Senhor, Vivo e presente no meio de todos e em todos!


Segunda-feira, 19 de Março de 2012

Com Amor e Sangue

A música ainda não se fazia ouvir, mas o desfile dos pares em roda anunciava-se no terreiro, ao lado da capela.
A tarde ia ser de marchas; e o pai, com o seu par, encabeçava o desfile. Bem trajado, como sempre o fizera enquanto a vida lho permitira. Olhei-o, tranquila: ele parecia bem.
Mas a minha música era outra; e segui o meu caminho, estrada acima, pela berma de pedras soltas, rumo a casa. Caí. Os joelhos cravejaram-se de pedrinhas e o sangue jorrou em grossas gotas. Lavei-as com vinagre, de passagem pela casa de uma amiga, entrando por uma porta e saindo por outra, sem me deter. Deixei que por lá escorresse um rasto ácido e ensanguentado, marca de um trilho, talvez pedido de socorro, talvez semente; ou um brilho de estrela cadente, num registo fugido, demente.
Arrependi-me e voltei para me desculpar e limpar o chão que se empastava, ressequia; enquanto o pai chegava a casa, depois da dança, e dizia:
- Estou muito cansado, vou dormir.
Ainda pensei em oferecer-lhe de jantar, mas não valia a pena, ele não comia. E eu só podia responder-lhe: “Descansa em paz, meu pai!”
Mas respondi:
- Dorme bem, pai.
Porque a eternidade é um sonho sossegado para quem consegue dançar a vida com ritmo e equilíbrio. Com amor.

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Como Eu vos amei

Na sequência da publicação anterior (primeiro passo na escola do Amor), e para a completar:

Jesus, na noite da sua paixão, deu-nos um Mandamento Novo do Amor:
«Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!» (João 13,34).

Este mandamento resume todos os outros mandamentos, todas as leis, todas as regras e normas.
Somos convidados a amar de forma gratuita, sem interesse, sem esperar nada em troca, unicamente por querer o bem do outro, de todos os outros.

“O meu Mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo. 15, 12-13).


O amor maior by Olímpia Mairos

"A medida do amor é amar sem medida" (Santo Agostinho).

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Como a ti mesmo


Foi dito aos antigos: "Olho por olho, dente por dente". - Lei de Talião (Ex. 21,23-25; Lv. 24,17-21)

Mas, citando Ghandi: "Olho por olho e o mundo terminará cego".

Então: "Justiça é não fazer a outrem o que não queríamos que nos fizessem." (Hughes Lamennais)

"Aconteceu um dia que um não-judeu chegou ao grande rabino Shammai e lhe disse: Faz-me prosélito (convertido [ao Judaísmo]) sob a condição de que me ensines a Toráh inteira, durante fico parado em um pé só. Esse o empurrou com o bastão que tinha na mão. A seguir veio a Hillel, e este o fez prosélito e lhe disse: O que tu não estimas [que te façam], isso também não faças ao teu próximo. Isso é toda a Torá, e todo o restante não é senão explicação: vai e a aprende!" (Talmude Babilônico, Sabbat 31a).

“Não faças a ninguém aquilo que não queres que te façam a ti”. (Tobias 4,15)

Reparamos que estes ensinamentos são mandamentos de formulação negativa e incompletos, que [apenas] recomendam o que não devemos fazer aos nossos próximos.

Jesus veio aperfeiçoar o que até aí foi dito, dizendo-nos: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas" (Mt. 7,12); "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt. 22, 39).

Então:
"Para poder progredir para um amor perfeito, o primeiro passo é amar o outro como eu me amo.
(...)
A chave, então, é esta: eu me encontro, eu me amo, eu me conheço se amo e não espero nada dos outros. Eu tenho todas as capacidades e dons recebidos de Deus na minha natureza para amar-me e amar os outros e descubro estas capacidades somente se me amo por primeiro e se a minha vida é dada exclusivamente para os outros. O segredo para viver o primeiro grão do amor, que é amar os outros como eu me amo, passa por esta escolha: amar por primeiro. Eu me amo acreditando que tenho em mim mesmo todas as forças, capacidades, para amar-me e amar sem medida os outros.

Este passo é bem concreto e real. Por exemplo: se uma pessoa me calunia, eu decido amá-la primeiro. Outra pessoa tenta me afastar de um amigo, eu a amo por primeiro e faço de tudo para ser a chave da reconciliação entre todos."
(Ler artigo completo em: Aliança de Misericórdia)


Assim:
" 'Amarás a teu próximo como a ti mesmo'.
O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei." (Rm. 13, 9-10)

Esta é uma proposta de felicidade.

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

Pedras e pontes





Valerá a pena construir pontes para ultrapassar pedras?

As pedras no nosso caminho fazem-se sempre presença.

Tantas vezes dou comigo a partir pedra, a ser e fazer pontes para passar sobre obstáculos. Em tempo de “Natal dos simples”, “já me cansa esta lonjura”. Será que valerá a pena facilitar sempre o caminho a outros? A todos os outros? Será que cada um não deverá rasgar os seus próprios pés nas pedras que encontra no seu caminho e que, muitas das vezes, ainda faz rolar para o caminho dos outros?

Por vezes a ponte é uma ilusão, para lá dela não existe margem… existe sempre o outro lado, mas às vezes é um abismo. E ficamos, na melhor das hipóteses, ali… suspensos…

Mas:
“Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura”.

Depois de ultrapassadas as pedras, pode ser que os passos fiquem mais firmes.

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

O melhor presente

Deus deu ao mundo,
o verbo feito carne,
O bébézinho na manjedoura,
Deus deu ao mundo,
nesta noite escura
Seu Único Filho,
a glória de Deus

Deus deu ao mundo,
Deus deu ao mundo,
Deus deu ao mundo,
O melhor presente.

Deus deu ao mundo,
o que ninguém podia
Seu Filho à morte,
para nos dar vida
Deus deu ao mundo,
sem esperança
uma nova vida,
novo amanhecer

Deus deu ao mundo,
o melhor presente
Seu Santo Filho,
para nos salvar.
Não importa quão
desviados andámos,
O presente de Deus
é para nós

Deus deu ao mundo
O melhor presente.

(God Gave the World - letra em português)



God Gave The World


"O Verbo fez-se carne e veio habitar entre nós" (Jo. 1, 14)

Santo e Feliz Natal, com Jesus, o melhor presente!
Novo Ano pleno das Suas bênçãos.


Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

A Verdade


«O rapaz ia muito mal na escola. As suas notas e o comportamento eram uma decepção para os pais, que sonhavam vê-lo formado e bem-sucedido.
Um belo dia, o pai propôs-lhe um acordo:
- Se tu, meu filho, mudares o comportamento, se te dedicares aos estudos e conseguires ser aprovado no exame para entrar na universidade, dar-te-ei um carro de presente.
Por causa do carro, o rapaz mudou como da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz era apenas pelo interesse de obter o automóvel.
Isso não era bom. O rapaz seguia os seus estudos e aguardava o resultado dos seus esforços. Assim, o grande dia chegou. Foi aprovado.
Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa, o presente era uma Bíblia. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.
A partir daquele dia, a distância e o silêncio separaram pai e filho. O jovem sentia-se traído e agora lutava pela sua independência.
Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus Universitário. Raramente mandava notícias à família. O tempo foi passando e ele formou-se, conseguiu um bom emprego e esqueceu-se completamente do pai.
Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia, o pai, velho e muito triste com a situação, não resistiu. Faleceu. Depois do funeral, a mãe entregou ao filho a Bíblia que tinha sido o último presente do pai.
De volta à sua casa, o rapaz que nunca perdoara o pai, quando colocou a Bíblia numa estante, notou que havia um envelope dentro dela. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque.
A carta dizia: "Meu filho, sei o quanto desejas ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque. Escolhe aquele que mais te agradar. No entanto, fiz questão de te dar um presente ainda melhor, a Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o amor de Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência".»


Ops!….. e agora?!... tarde demais...

Quantas vezes nos sentimos traídos e nos afastamos sem procurar conhecer a verdade… e sem perdoar?!

E não saber perdoar leva à tristeza, a erros e a fins terríveis.

As adversidades da vida espreitam-nos constantemente. Mas, se olharmos com cuidado, talvez nelas encontremos um "cheque escondido". Numa bíblia que não ousamos abrir.


É tempo de Advento. Tempo que antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, em que os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo (a Verdade… Caminho e Vida - cf. Jo. 14,6), vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz.
Porque antecede o Natal e o fim do ano civil, é um período muito importante para a manifestação dos mais nobres sentimentos da pessoa humana, mesmo para os não cristãos.

Então, podemos dizer que o Tempo é propício a procurarmos a verdade e o perdão, a fraternidade, a alegria e a paz, numa bíblia perdida algures nalgum canto dentro de nós. 
E também, porque não, na Bíblia Sagrada, o livro dos livros, que contém a Verdade revelada.

Quem sabe, neste Advento, encontremos o “cheque escondido”.

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

Pauzinhos de Marfim


"Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:
— Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição!
O jovem príncipe ficou confuso. Não sabia se o pai falava a sério ou se estava a brincar. Mas o pai continuou:
— Quando tiveres os teus paus de marfim, verás que não ligam com a loiça de barro que usamos à mesa. Vais precisar de copos e tigelas de jade. Ora, as tigelas de jade e os paus de marfim não admitem iguarias grosseiras. Precisarás de cauda de elefante e fígado de leopardo. E quem tiver comido cauda de elefante e fígado de leopardo não vai contentar-se com vestes de cânhamo e uma casa simples e austera.
Irás precisar de fatos de seda e palácios sumptuosos. Ora, para teres tudo isto, vais arruinar as finanças do reino e os teus desejos nunca terão fim. Depressa cairás numa vida de luxo e de despesas sem limite. A desgraça irá atingir os nossos camponeses, e o reino afundar-se-á na ruína e desolação… Porque os teus paus de marfim fazem lembrar a estreita fissura no muro de uma fortaleza, que acaba por destruir toda a construção.

O jovem príncipe esqueceu o seu capricho e mais tarde veio a ser um monarca reputado pela sua grande sensatez."

( Conto do filósofo chinês Han Fei, oito séculos antes da nossa era)


Este conto não vos faz lembrar nada, nos nossos tempos?