sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Manda Teu Espírito

Ao meu redor
Procuro entender
O que virá
Se bem longe eu vou estar

Diante de Ti
Eu entreguei os meus caminhos
Pra Te sentir
E nunca mais chorar sozinho

Mas cansado estou
e fraco a esperar
que Tua doce voz
venha o meu sono despertar

Manda Teu espírito e vem me abraçar
Pra eu não chorar
Preciso de Ti aqui
Pra me consolar


Só Você faz o mar se acalmar
E traz paz iluminando o meu olhar
Sabes ouvir as dores do silêncio
E persistir em esquecer os meus lamentos

Sei que em Você
Encontro meu alento
Estendo as minhas mãos
Entrego os meus sentimentos

Manda Teu espírito e vem me abraçar
Pra eu não chorar
Preciso de Ti aqui
Pra me consolar



(As Dores Do Silêncio, Rosa de Saron
Composição: Eduardo Faro)

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Ruído

É manhã. Por detrás das copas das árvores, o calor do sol quer espreitar. Os raios incidem sobre os fios finíssimos que uma fiandeira teceu de noite. Uma brisa levezinha faz dançar as folhas a um ritmo descompassado. Na esplanada do café, uma mesa com duas cervejas: pequeno almoço que as donas levam aos lábios no intervalo do cigarro e da conversa. No passeio, o sobe e desce de gente apressada. O barulho dos motores dos carros, que também sobem e descem, é misturado ao bater do martelo das obras do jardim e ao tilintar das garrafas vazias a baterem umas nas outras ao serem apanhadas do chão - ainda restos da latada. E, na frente dos meus olhos, apontamentos sobre a Carta de Ottawa nos quais tento, em vão, mergulhar.
Das duas uma: ou abstraio-me do que se passa à minha volta e me concentro no que preciso de estudar, aproveitando assim este tempo morto de espera, ou saio do carro e vou fazer uma caminhada, dar uma volta pelo jardim, respirar outro ar, beber de outras fontes. Desentorpecer as pernas, arejar a mente. Sim, parece-me bem. Esta segunda ideia é-me muito mais atraente.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Pai...



96 Outonos. Hoje, aqui. Era quantos farias se não tivesses ido embora.

Quantas vezes me disseste que partias, quando eu sabia que não era essa a hora. Mas volta e meia fazias birras, repetias. E tantas vezes o disseste que eu a sorrir te desmentia. Dizia-te que não. Que não podia ser, que estavas bem; mas bem não estavas, bem se via.
E as tuas forças começaram a diminuir a cada dia. E o que antes eram birras deixaram de o ser. Até que chegou o teu limite, e eu, desatenta, sem o perceber.
Não chegaste a ver este Outono. Era Verão quando partiste; quando deixaste de dar ais. Foste embora ainda há pouco tempo e hoje a dor me aperta mais.
Perdoa-me.
Perdoa-me, pai.
Perdoa-me porque não percebi os sinais...

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

O Maior

«A forma de entender a fé é diferente de pessoa para pessoa, de um liberal para um ateu, de um teocrático para um cristão. Tem a ver com o relevo que é dado por cada um às suas vertentes familiar, afectiva, político-social, cultural, económica, religiosa e moral.

Para um liberal, cada uma destas vertentes é autónoma e independente, sem que nenhuma delas influencie qualquer outra. Como tal, a religião não influi nas opções de qualquer outra vertente. A fé é do domínio privado e pessoal.

Para um teocrático, todas as vertentes são influenciadas pela religião. Esta envolve e prevalece sobre todas as outras. Cada vertente não tem sentido em si mesma, nem nenhuma tem poder sobre qualquer outra. Todas são dominadas pela vertente religiosa, dependem exclusivamente dela, podendo mesmo ser humilhadas e desprezadas por ela quando levada ao extremo, tendo como resultado o fundamentalismo.

Num cristão, cada vertente tem a sua autonomia e identidade próprias, mas inter-relacionando-se como partes de um todo – de um só corpo. No centro deste corpo encontramos o Amor. Amor de/a Cristo que dinamiza e dá força a todas as vertentes da vida humana, procurando o equilíbrio entre todas. Conforme a sua vida e circunstâncias pessoais, assim cada pessoa encarnará a fé, sempre com Cristo como referência para a sua vida, que lhe dá sentido, a partir do seu interior e não por qualquer imposição externa. Cristo é o centro, a “pedra angular”, o amor que está no centro de tudo.

Um ateu exclui radicalmente a vertente religiosa, aceitando todas as outras. Se alguma das vertentes predominar será para fazer sobressair o ateísmo. O fenómeno religioso é encarado como alienação, estruturas de poder ou superstições, que não humanizam e que, por isso, têm de se eliminar.»

Fui buscar estas linhas a um texto que escrevi há algum tempo, apesar de toda a polémica que gerou, porque quando se aborda o tema religião é sempre passível de polémica, precisamente pelo acima exposto - cada pessoa tem o seu modo de encarar a fé.

O motivo de as trazer aqui, agora, está nas palavras de um ATEU que têm dado que falar.

Andei a ponderar se abordaria ou não essa matéria, com algum receio de que, ao fazê-lo, poderia dar importância demais a palavras loucas de quem não sabe do que fala.

Este é um assunto que já me chateia, pois acho que anda meio mundo incomodado com este atrevimento quando, na minha opinião, aquilo que transpira é apenas um monte de preconceitos de um ateu que se arroga em dono da verdade.

Sendo certo que todos temos direito à nossa opinião, ou à nossa crença ou não-crença, e a usar de liberdade de expressão na manifestação do que nos vai na alma, também é verdade que nos devemos saber colocar no nosso lugar e respeitar os lugares dos outros. E devemos tão mais saber fazê-lo quanto maior for o estatuto que a sociedade nos confere. Donde que este ateu deveria, assim, saber ter tento na língua.

Mas quando Caim mata é sempre por insegurança. É sempre por medo da sombra da sua vítima sobre si. Então há que aniquilá-la.
Ele não se contenta em ser grande.
Ele quer ser o maior!

Quão falível é a natureza humana!

E quanto é enorme Deus!
Infinitamente maior do que todo o pecado.


Adenda:
Ler também um texto sobre este assunto em: Crónicas de uma Peregrinação

domingo, 18 de Outubro de 2009

Orientação missionária



Dai de graça o que recebestes de graça.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza

17 de Outubro é o Dia Mundial Para a Erradicação da Pobreza.


Clica no link acima e
Sonha que... é possível acabar com a Pobreza.

sábado, 10 de Outubro de 2009

O que me tira o sono



- Filho, quando é que ganhas para uns sapatos?
- O quê? Com duas horas por dia nas AECs?!


- Filha, como estás crescida!
- Também já não me vias há quinze dias!

sábado, 3 de Outubro de 2009

O Inferno que escolhemos

"Deus desapareceu da política.
Por isso, a política tornou-se um Inferno."

Li isto e muito mais em
Crónicas de uma peregrinação
sob o título:
O Inferno Somos Nós.

Nunca tinha lido um retrato tão perfeito do inferno que escolhemos!

Por isso:

"Se ouvires a voz do vento
Chamando sem cessar
Se ouvires a voz do tempo
Mandando esperar.

A decisão é tua
A decisão é tua
São muitos os convidados
Quase ninguém tem tempo

Se ouvires a voz de Deus
Chamando sem cessar
Se ouvires a voz do mundo
Querendo te enganar

A decisão é tua
A decisão é tua
São muitos os convidados
Quase ninguém tem tempo

O trigo já se perdeu
Cresceu, ninguém colheu
E o mundo passando fome
Passando fome de Deus

A decisão é tua"

(Padre Zezinho - A Decisão é Tua)

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Silêncio

"Um homem dirigiu-se a um convento de clausura, isto é, um convento onde se vive longe do ruído da cidade e num silêncio desejado. Perguntou a um desses monges:
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?
O monge estava a tirar água do poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?
O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.
O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?
O homem obedeceu e respondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio: espelho-me na água.
O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio."
(Frei Róger Brunorio - OFM)


sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Em cinco sentidos

... ou sem nenhum sentido [de orientação]!

Fui [des]orientada, melhor dizendo, sensibilizada :S
pelo Pinguim Alegre a sentir-me numas questões de sentidos.
Eis as respostas (sem grande norte):

Qual o Sentido que melhor me descreve?
- Sou toda 'ouvidos'!

Visão - A minha imagem favorita:
- A Natureza.

Tacto - O que mais gosto de sentir na pele:
- O toque de outra pele.

Paladar - O meu sabor preferido:
- Delicio-me com a água fresca (mas sem ser demasiado fresca).

Olfacto - O cheiro que me inebria:
- O aroma das flores selvagens nos pinhais em dias quentes.

Audição - O som que gosto mais de ouvir:
- Música suave.

E depois de [com]sentido[s] apurados[s] acho que mereço um prémio!!!
Obrigada ao Pinguim.


São servidos? Então mãos à obra!
Atribuo o prémio a quem ousar [des]orientar-se neste[s] sentido[s].

domingo, 20 de Setembro de 2009

O voo da andorinha


Se eu de ti me não lembrar, 'Jerusalém',
fique presa a minha língua.

Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,
com saudades de Sião.
Nos salgueiros das suas margens,
dependurámos as nossas harpas.

[Do Salmo 136 (137)]

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Onde a saudade me dói

Ouvi o mar chamar por mim, insistentemente.
Fiz silêncio e pus-me à escuta: era isso mesmo, o mar sussurrava-me ao ouvido aquela melodia de que eu começava a sentir falta.

Procurei-o ao cair da tarde. Na areia branca, húmida, deixei o rasto dos pés, junto com o das gaivotas seduzidas pela traineira do peixe.
O azul imergiu-me; a distância naufragou-me.
Deixei os pés afundarem-se na areia, submergidos pela rebentação das vagas, escorridos na espuma, embebidos nessa água, mas perdidos noutro sal, porque é outro longe que eu sinto.

As gaivotas, atraídas pelo odor do peixe, voam em redor do barco em busca de alimento.
Eu procuro outro barco. Atraída pelo fragor do mar, deixo mergulhar os pés e flutuo os sentidos nesse embalo, numa ânsia de me transportar para outro lado no meio do oceano... para lá; para lá: onde a saudade me dói.







quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Dias inesquecíveis









Sossego
Descanso
Acalmia
Repouso o olhar
Ao longe
De um lado o mar
E o respirar o céu
Por cima do olhar
Do outro
O cume da terra
Que um dia deu clarão
Subindo ao azul infinito
Água
Terra
Fogo
Ar
Os elementos se conjugam
Em harmonia para me saciar
Vida
Alegria
Amor
Amizade
Carinho
Paz
Dias inesquecíveis
Onde tudo me sorri

A tranquilidade mora aqui

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Maior que o mar e o céu



Aqui, o mar não enrola na areia; aqui, o mar umas vezes bate nas rochas e noutras dá-lhe beijos com suavidade. Aqui, o mar está constantemente a seduzir-me, a declarar-me o seu amor, e eu a deixar-me seduzir, sempre tentada a sucumbir aos seus encantos.

Depois de ler (devorar!) ‘Onze Minutos’, praticamente, num dia; depois de uma noite de ‘Xutos e Pontapés’ num concerto ao vivo pela noite dentro, até cair de cansaço; acordo às oito da manhã e… rebolo de um lado para o outro. Ao meu lado, ele dorme… e está para dormir. Então, levanto-me para não o acordar. Preparo-me e saio para a minha volta matinal, diária. O mar está à minha espera. Salto de rocha em rocha e, de chinelos, mergulho os pés e deixo que o mar mos beije como de costume.
A água está espectacular. Simplesmente espectacular! Disputo-a com os peixes que saltam para outra poça onde o mar os vem buscar.
Não há ninguém por muito perto. Apetece-me tirar a roupa e abandonar-me toda às ondas que me vêm saudar. Mas não, prefiro contemplá-lo. Saboreá-lo até à linha do horizonte. Este contacto físico e visual transmite-me uma paz imensa. Saborear o momento, este momento, esta imensidão de mar e céu, sem nada mais querer, sem nada mais desejar, faz-me levantar as mãos bem alto e lembrar o Salmo: “Como sois grande em toda a terra, Senhor nosso Deus!”, infinitamente maior do que o mar e o céu.